Estávamos sentados num banco de jardim. Era verde, e nunca o poderia deixar de ser. Estávamos lado-a-lado, a olhar em frente. Raramente olhava para ti, talvez por vergonha, mas quando olhava reparava em cada promenor do teu rosto. Fascinavas-me, e cada vez mais sentia que o meu coração te pertencia. Se cada vez que olhava para ti, só via metade do teu rosto e mesmo assim já me perdida dentro de ti, nem queria imaginar como seria se visse a outra metade.
Nunca nos olhámos nos olhos. Nunca, até que, passados vários dias, eu consegui sentar-me de lado e virar-me totalmente para ti. Toquei-te no braço e tentei virar-te para mim. Tu resististe, mas sabias que mais cedo ou mais tarde me terias de olhar nos olhos. Quando esse dia chegou, apanhaste-me de surpresa. Não estava preparada para aquilo que encontrei. Os teus olhos assustaram-me. Eram negros, sombrios. Todo o teu rosto se havia modificado. O que antes era belo, tornou-se terrível.
Assustei-me e fugi. Corri com todas as forças que tinha. Sempre que olhava para trás tu estavas lá, a perseguir-me. Estava cansada, mas não parei. O medo atormentava-me.
Não conseguia mais. Há muito que corria e tu não me deixavas. Parei. Esperei que me apanhasses. Fechei os olhos. Senti uma brisa gelada trespassar-me o corpo e a alma. Abri os olhos e nada vi.
Tu não eras nada mais do que um fantasma.
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1 comentário:
uhhh
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