segunda-feira, outubro 30, 2006

Música

Hoje tive que fazer um exercício engraçado. Ouvia uma música e depois tinha que escrever o que quer que fosse acerca dessa música, o que me viesse ao pensamento.
A música era a Estrela do Mar, do Jorge Palma. Linda música que fez despertar em mim emoções passadas.
O meu mais longo sonho de Verão despertou e a minha imaginação correu, mais uma vez, mundos sem fim.
A vontade de voltar é enorme. Penso que nunca foi tão grande. Naquela altura tudo era simples, fácil. Nestas últimas semanas o tempo parece que custa a passar e só apetece vir para casa, deitar-me na cama e desligar a cabeça para não pensar, apenas sonhar. Não me importava que a minha vida fosse feita à base de sonhos!


Esta música despertou o meu lado mais secreto. Qualquer outra música poderia ser aplicada noutra altura da minha vida. Todas as músicas, ouvidas com atenção, se conseguem ligar a episódios da nossa vida. É preciso é deixá-las entrar.

sábado, outubro 21, 2006

Continuar

Os últimos dias foram essenciais.
Foi como se tivesse acordado para a vida real. Saí do meu mundo e vaguei pela realidade para descobrir a normalidade das coisas.
Não ouvi as palavras que queria, mas na minha cabeça continuava tudo igual.
Mas agora, já sei que posso seguir em frente, sem remorsos.
Dentro de mim eu quero dar uma volta de 180º graus. Sinto-me totalmente preparada para isso. Já mudei, hoje notei que sim. Vamos esperar para ver nos próximos dias.

quarta-feira, outubro 11, 2006

coNtradiçÃO

Hoje fiz aquilo que já queria fazer há algum tempo. Arrependi-me, de certa forma. Mas em todos os dias até hoje eu vivi um arrependimento constante. No fundo queria mas não queria, não queria mas queria!
Agora só me apetece estar a desejar o impossível, basear a minha vida vivida num sonho. Curiosamente, isso era tudo o que eu menos queria na altura em isso acontecia. O que me está a provocar a minha dor recente foi o que me salvou da minha dor passada!
Depois de tudo, eu só desejava que a atenção não se centrasse naquelas palavras que foram tão custosas a sair, só queria que aquilo permanecesse para sempre na mente!
Ontem eu imaginava dois cenários possíveis, na minha cabeça. Os dois eram totalmente opostos, um que me fazia feliz, o outro que me deprimia. O meu mundo, aquele no qual só eu existo verdadeiramente e tudo o resto é imaginado, vai de um extremo ao outro, mas a minha visão nunca pára no meio dos dois extremos. No meu mundo eu só vejo o 8 ou o 80, o bom ou o seu contrário.
Dói quando é a parte má que ganha....

terça-feira, outubro 10, 2006

Sabes como é que eu me estou a sentir neste momento? Sabes o quão podre me estou a sentir agora? Não é o corpo, apesar dele também se estar a ressentir, mas sim a mente, o espírito. Estou a morrer por dentro, o que é incompreensível depois deste dia magnífico que eu passei. Sinto-me tão mal por ter estes momentos, por não me conseguir controlar, por não conseguir agarrar as coisas boas e simplesmente esquecer aquele único momento mau, que talvez não fosse aquilo que eu percebi. Como é que eu consigo deixar que a minha vida seja totalmente controlada pelos sentimentos?
Tu notas quando eu tenho estes momentos. Perguntas "o que é que tens?" e aquilo parece-me tão simples que eu respondo "nada, estou apenas cansada!", porque tenho vergonha do que estou a pensar, a sentir, ainda por cima depois do dia de hoje, em que estivemos em contacto com problemas bem maiores. Eu acho que tu não acreditas, mas deixas...
Apetece-me chorar como tudo, mas não encontro uma razão válida para o fazer. Não quero chorar por uma estupidez, por um sentimento que me faz sentir repulsa! Quero comer chocolates, ver um filme romantico e chorar, porque aí já posso chorar. Quero ouvir música e chorar, por assim também posso chorar. Quero fazer um sorriso desesperado e chorar, à espera que quem eu quero que veja, veja! Quero deitar-me na cama, junto dos meus companheiros silenciosos e deixar a minha cabeça viajar pelo limiar do que é aceitável.
No fundo apenas quero passar despercebida, mas sem passar. Quero-me sentir grande, mas sem o ser. Quero chorar, mas sem que dos meus olhos caia uma lágrima. Quero entregar-lhe uma lista do que eu quero e receber tudo, mas voluntáriamente e inconsciente de que é isso que eu quero....

quarta-feira, outubro 04, 2006

Do terraço, onde o ar fresco de início de noite me arrefecia a pele dos braços e dos pés, via somente uma imensidão de casas e árvores, todas parecendo mais baixas do que eu. Mas a minha visão permitia-me apenas fixar o que estava directamente à minha frente: duas árvores do meu quintal; mais para a direita, no jardim das vizinhas, um pequeno chorão; ao longe duas palmeiras, uma mais alta do que a outra e no centro a torre da igreja da pequena vila. Por trás aparecia a lua, grande e amarela, disposta em D, como um enorme sorriso, por vezes escondida por pequenas nuvens pretas.
Eu queria que a minha máquina captasse a perfeição daquela imagem. Sim, perfeição, porque parecia um lindo quadro, famoso ou não. Mas há imagens que só se podem registar na memória, com a esperança de que para o ano continue perfeito.

(e foi com esta imagem, debaixo daquele céu tão espantosamente estrelado, que eu tentei afastar a solidão que se apoderava de mim há uma hora atrás. Penso que só a aumentei!)

quinta-feira, setembro 14, 2006

Viagem

A trovoada já não se ouvia. Os clarões que rasgavam o céu já tinham desaparecido. Ela ia sentada no carro, observando a chuva. Deu por si a fixar as gotas que escorriam pelo vidro da janela. As gotas caíam rápidas e algumas acabavam a sua curta vida espalmadas numa janela de um carro qualquer (saberiam elas o que era um carro, o que era o mundo dos humanos?), dizendo as suas últimas preces nos últimos momentos de vida, enquanto escorriam pelo vidro.
Ela deixou a mente deslisar para longe. Passaram-lhe pelo pensamento os seus dois últimos Verões e recordou-se da sua viagem pelo oceano sem fim, o rapaz de olhos verdes e costas largas; uma tenda e um grupo de novos amigos; o vizinho e o outro vizinho, o corpo moreno e os olhos amarelos. Ao mesmo tempo que a sua mente rebuscava os seus velhos tesouros, ela ouvia e cantava "I'm walking away from the troubles in my life, I'm walking away oh to find a better day". A música fazia-lhe todo o sentido e era isso mesmo que ela desejava fazer, mas ao deixar o seu pensamento repousar sobre assuntos antigos não estaria ela a fazer precisamente o contrário? Ela recordava-se bem do que tinha sofrido o ano passado.
Então, deixou que os sonhos que ela tinha para este Verão lhe inundassem a cabeça. Nesses sonhos ela não pedia nada de transcendente, eram apenas sonhos de uma adolescente, de uma rapariga que queria ser feliz. Subitamente, todos esses sonhos lhe pareceram impossíveis de concretizar, talvez pela música que agora enchia o carro. Aquela música fazia-a lembrar aquilo de que ela fugira. Mas naquele momento nada lhe parecia tão terrível e odiável como ela se lembrava. Talvez ela tivesse apenas uma necessidade de se afastar.
Abandonou aqueles pensamentos complexos e voltou a mergulhar no seu mundo de ilusão. Momentos mais tarde, ela despertou do seu transe como que de repente. Então, o mundo que a rodeava pareceu-lhe sinistramente estranho.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Vou FUGIR!


Vou fugir.
Vou voar daqui para fora,
vou esquecer os meus problemas
e vou ser feliz!

quinta-feira, agosto 10, 2006

Brisa da noite

É das coisas que mais gosto de fazer, nas noites de Verão: pôr a cabeça de fora da janela e ficar assim durante longos minutos, imóvel. Cheirar o ar poluído da capital, sentir de vez em quando uma brisa no rosto. Ficar a olhar para a vizinhança e perceber que à noite ela se torna sinistra. Observar os carros, a quietude, o inexistente escuro por detrás das luzes amarelas da cidade, cada movimento, cada luz num prédio que se acende e pouco depois de apaga. Ouvir os grilos, os cães, os sons da noite.
Sempre foi uma coisa que eu gostei de fazer, como pessoa que tem a necessidade de se isolar de quando a quando. Lembro-me de mim muito pequena, tão pequena que nem me consigo lembrar de como era, de estar a observar a lua e de mais tarde chorar juntamente com a minha mãe devido às lembranças. Antigamente fazia isto sempre acompanhada por música. Agora prefiro deixar que o desconhecido silêncio da cidade me inunde os ouvidos.

Olho para a parede onde está a minha cama, oposta à janela. Vejo seis sombras minha. Terei eu tantas fases ou até mesmo faces? Será que é a artificialidade da cidade que me deixa nua ou é ela que me deforma?
Hoje sinto-me fraca. Andei o dia todo a vaguear pela casa sem fazer nada. Apetece-me energia, mas não a consigo ir buscar sozinha. Ao mesmo tempo quero e não quero. Gostava que o fizessem por mim. Será que eu tenho de ficar sempre assim depois de um sonho de Verão?

Se vivesse no rés-do-chão e não no décimo andar, sentava-me de lado na borda da janela, com as costas encostadas e uma perna de fora a baloiçar.

Debruço-me na janela para encontrar a minha adorada constelação e para venerar a lua cheia.
As saudades apertam. Apetecia-me estar noutro sítio, voar para outro lugar. O ar livre faz-me bem, mas não gosto do ar tão quente e seco. Sinto-me mais viva quando o ar gélido me faz doer o nariz.
Gosto da natureza; faz-me sentir livre, faz-me sentir viva!

segunda-feira, agosto 07, 2006

Quero voltar

Eu quero comer croissants ao pequeno-almoço, quero almoçar um pão simples e uma maçã, fazer guerra de comida, ser atacada por vespas, quero passar a noite a espiar um casal, quero queixar-me do quarto e das casas de banho, quero andar de casa em casa à procura daquela pessoa, quero adormecer nas aulas, quero ouvir "RIDICULO" muitas vezes, quero enrolar-me a falar o meu inglês deficiente, quero passear, ficar a olhar para o céu e ver estrelas cadentes, quero ensinar palavras em português, quero fugir das pessoas, perseguir pessoas, escrever poemas, ser rebelde juntamente com os staffs, esbanjar o meu dinheiro, tirar fotografias, cantar, quero rir sem parar no meio da chuva, morrer de frio em pleno Verão, fazer amigos que não são amigos, receber uma pulseira, quero gritar, dançar, observar. Quero voltar...

quarta-feira, julho 19, 2006

Final de noite

Uma sala às escuras,
um filme de terror,
o filme várias vezes interrompido,
um, dois, três relâmpagos,
outra interrupção no filme para ver "Lost",
um relâmpago logo seguido por um enorme trovão,
um trovão ensurdecedor, de meter medo,
outro flash visível através da persiana semi-fechada,
um trovão de meter medo ao mesmo tempo
(a trovoada em cima de nós)
um certo medo,
o final do filme de terror,
uma conversa na cama sobre centopeias,
visões e impressões horríveis no escuro,
um adormecer agitado...

sexta-feira, julho 14, 2006

17 horas

Hoje foi o pior dia da minha vida nestes últimos tempos!
A única coisa que eu tinha realmente de fazer, a única coisa realmente importante, não fiz. Não foi por falta de esforço, mas sim por imaturidade e irresponsabilidade. Foi por me achar já realmente grande. Como é que em 24 horas eu não consigo fazer uma coisa que dura no máximo uma horas?!
Na lista da minha adolescência eu não tenho o objectivo de desiludir a minha mãe, então como é que isso pode estar constantemente a acontecer?
Agora já sei como se sentem aquelas pessoas que andam na rua ou no metro tristes, de cabeça baixa, com os óculos escuros a tentarem disfarçar os olhos rasos de água.
Bem, pelo menos não perdi 10 euros, como ontem.

segunda-feira, julho 10, 2006

O acordar

Por entre sorrisos e boa-disposição lá cheguei ao meu destino.

As saudades que eu tinha daquela praia
fizeram com que o mar agitado e a areia quente parecessem perfeitos.

Deixei que os minúsculos grãos de areia se colassem aos meus pés.
A água estava gelada,
mas isso não me impediu de deixar as ondas me beterem nas pernas
e molharem o fundo do meu vestido.

Eu não queria...
Eu não queria olhar para aquilo que fora todo o meu Verão passado,
mas olhei.

No início não estava lá nada
e eu procurei por todo o lado.
Depois veio a confirmação do que eu antes suspeitava:
já não estava lá... tinha sido trocado!

Primeiro a decepção e a incredulidade;
depois a tristeza e mil imagens a passarem na cabeça:

A curva bem marcada no final das costas,
os olhos amarelos, o apito a rodar,
a mão na barriga, a viola, a pele morena,
o polo com o carapuço, o cabelo despenteado,
os mergulhos esquisitos e as brincadeiras no mar,
um sorriso perfeito escondido por finos lábios...

Agora resta a recordação
e o coração vazio e apertado.
Fica a lembrança de um sonho que acabou!

quarta-feira, junho 28, 2006

Medo

Esta é a história de uma pequena menina. Durante a sua curta vida, especialmente nos últimos tempos, ela dedicara-se a construir casas para as suas bonecas.
Um dia disseram-lhe que ela teria de construir uma casa mais importante do que todas as que já tinha construído. O seu entusiasmo foi enorme, porque chegara a altura de ela mostrar que ela realmente boa naquilo que fazia.
Mas passado um tempo a pensar sobre o assunto na sua pequena cabecinha, começou a assustar-se. Até então ela só tinha construído casas para bonecas com metade do tamanho do seu dedo mais pequeno, e agora teria de construir uma casa para bonecas com a altura da sua cabeça. E o nome que davam àquilo que ela ia fazer também a deixava de pé atrás: "projecto". Era demasiado "grande" para ela, como a própria estava sempre a dizer.
Começou a ter medo e passou alguns dias a imaginar a sua nova casa, em vez de brincar com as suas bonecas.
O dia chegou e ela achou-se mais descontraída do que devia. Construíu a sua casa e esta ficou bem grande. Quando a acabou, achou que a casa estava bem bonita, apesar de achar que lhe faltava alguns pormenores. Ficou a admirar o seu trabalho e foi ficando desiludida à medida que os seus amigos detectavam muitas falhas suas. Teve uma vontade enorme de chorar!
Durante os dias em que esteve a imaginar o seu "projecto" pensou que não devia deixar que o medo a afectasse, porque isso podia complicar a sua tarefa. No final percebeu que se tinha deixado intimidar pela suposta grandeza e pelo nome do "projecto". O medo prejudicou-a. Não era tão difícil como parecia...

sexta-feira, junho 09, 2006

Há dias e dias

Há dias em que se está mais vulnerável a tudo o que se passa à tua volta. Dias em que uma conversa ou um momento ou uma simples palavra fazem toda a diferença. Para melhor ou para pior.
Hoje foi um desses dias. Desde o início que eu sentia que não ia correr bem, mas só tive essa confirmação antes do almoço.
(A música que estou a ouvir vinda da sala está a apertar-me o coração! Mas porquê?!)
Como é que um momento me pode ter arruinado por completo o dia? Para outras pessoas aquele momento passou despercebido, porque é que não podia ter sido assim comigo?
Porque é que agora tenho que andar nesta angústia constante, a tentar decifrar tudo o que acontece, para tentar perceber o que se passa, à espera de um sinal?
Será o mundo assim tão complicado ou nós é que o complicamos?
Esta semana correu tão bem, porque é que tinha de acabar assim? Porque é que isto me está a acontecer logo agora? Porque é que eu tenho toda a gente a ajudar-me e mesmo assim me sinto totalmente sozinha?
Porque é que aquela coisa me afecta tanto? Porque é que eu estou a chorar??




Tantas perguntas, nenhuma resposta...!

quinta-feira, maio 25, 2006

Rafael

É tão bom, de vez em quando, voltar ao quintal da nossa antiga casa e desenterrar o baú de lembranças que lá foi esquecido. Ontem à noite "rebusquei" o Rafael!
Rafael... Rafael... nome de anjo, o meu anjo da guarda. Não me lembro de como o conheci, deve ter sido como conheci os outros. A primeira coisa de que me lembro é de o ver na sala de costura lá de casa a falar com a minha prima. Pelo que eu consegui perceber na altura, a conversa não foi pacífica, porque acho que eles andavam e as coisas não acabaram muito bem por culpa dela. A partir daí a relação entre eles não ficou a melhor.
Depois, há um grande espaço branco na minha memória... Nós só nos viamos de vez em quando, porque só estavamos juntos em Vouzela e ele costumava passar lá por casa com os amigos e a minha avó adoráva-o.
Aquilo de que me recordo são de pequenos momentos que me marcaram. Ele ajudou-me a dizer "não" àquele rapaz que só me chateava; jogámos ping-pong a pares e ele era o meu companheiro... esse jogo foi de chorar a rir e no fim acho que perdemos; e o que eu agora mais gosto é o momento em que ele me pegou ao colo, como os noivos pegam nas noivas na noite de núpcias, no meio da rua principal de Vouzela, e eu na altura detestei. Mas o que fazia dele uma pessoa ainda mais especial é que eu estava super à-vontade com ele e não tinha que me preocupar com nada. Ao contrário do que acontecia com as outras pessoas de Vouzela, em que, quando estávamos juntos, a conversa não existia e o silêncio era o que imperar, com o Rafael era diferente, havia sempre mais alguma coisa para dizer! Lembro-me de quando no encontrámos junto ao comboio, no dia em que a Joana e a Sara começaram a fazer palhaçadas, em que a surpresa foi imensa e a conversa fluiu naturalmente e não houve tempo suficiente para dizer tudo o que desejávamos.
Lembro-me também daquele dia em que ele lá foi a casa visitar-nos e depois fomos dar uma volta, para tentarmos encontrar a minha irmã. Aquele passeio foi perfeito...
A última vez em que estivemos juntos tempo suficiente foi há algum tempo, em casa de um amigo. Ele já tinha bebido de mais e ficou um bocadinho descontrolado, mas no fundo nada passou da amizade.
Eu fui apaixonada por ele! Não no sentido literal da palavra, mas eu tinha realmente um grande carinho por ele. E foi esse carinho que me fez acabar com uma noite que se adivinhava quase perfeita. Foi esse carinho que ontem à noite me fez levantar da cama, mesmo tendo visto as minhas enormes olheiras momentos antes, para que ele perdure e não seja apenas mais uma lembrança dentro do baú das lembranças do passado. O meu querido Rafael...

sexta-feira, maio 12, 2006

Parabéns

O meu refúgio fez há 30 dias um ano de existência. Este é o meu centésimo texto aqui exposto. É umano de uma vida; são cem textos numa história. Se juntarem cada segundo destes últimos 395 dias e cada palavra destas 100 publicações, eu vou ficar nua, desprotegida, totalmente exposta, porque aí está tudo o que eu sou, todas as formas que eu posso tomar, "cause this words are my diary".
Neste meu refúgio encontram-se contradições, falhanços, fúria , trsiteza, desorientação, preocupação... Mas há também convicções, alegrias, amor, inspiração, gratidão. Aqui está presente um turbilhão de emoções. Emoções de um ano, emoções de todos os dias.
Durante este ano descobri muito de mim e dei-me a conhecer. Surpreendi-me a mim própria, acreditei. Mudei. Sinto-me mais madura e ao mesmo tempo mais criança, porque já não me importa fingir uma coisa que não sou, porque me aceito melhor.
Aprendi que não se deve ter vergonha de chorar e que até o devemos fazer mais vezes. Devemos rir o mais possível.
Aprendi que partilhar o que sou pode ser muito mais maravilhoso do que alguma vez imaginei.
Aprendi a ser eu própria.

quinta-feira, abril 06, 2006

Reviravolta

No outro dia estive a ver vários textos antigos do meu blog. Não há dúvida de que eu, nestes últimos tempos, tenho vindo a perder a inspiração. Mas gostei de textos que escrevi que se calhar na altura não tinha gostado tanto.

Li os textos da altura difícil que eu passei. Começou depois das férias do Verão, foi o que eu consegui perceber. Só não percebo porque aconteceu... Talvez por ter chegado à conclusão, depois de umas férias magníficas, que não queria crescer mais, que gosto de estar assim, a complicar aquilo que é simples, a poder cometer erros sem que eles tenham consequências demasiado negativas. Então foi como se desistisse.
Os dias passavam devagar e enfadonhos, a diversão começou a desaparecer aos poucos, a irritação apareceu na máxima força. A verdade é que eu estava mal e sentia que estava totalmente sozinha. Aquilo que me fazia sorrir eram coisas que a maioria considera insignificantes, algumas até irreais. As conversas eram poucas, o convívios lá ia acontecendo. Estar no meio do meu grupo de amigos era como não estar, porque não sentia qualquer apoio, porque mantinha a minha cabeça bem longe dali.
Parece que às vezes, quando uma pessoa está mal, por mais ajuda que lhe ofereçam, ela prefere sempre continuar a afundar-se, porque parece mais fácil. Porque começamos a afastar-nos dos outros e talvez do mundo e depois quando nos ajudam é algo estranho que vem de fora, por isso é mais fácil recusar.
Eu consegui sair do meu poço que se fazia adivinhar bem fundo e sombrio. Sinto também que o fiz muito sozinha, com a minha força de vontade e esperança, apesar da ajuda que talvez me ofereceram. Mas houve pessoas que nunca deixaram de estar comigo e disso eu tenho a certeza.
Eu consegui. E os outros que não conseguem? Eu sei que é difícil dar a volta por cima, e eu ainda via a luz do sol, mas e os outros que estão muito mais para baixo, escondidos naquele escuro sinistro?

domingo, abril 02, 2006

Lua

Ontem um sorriso pintou o céu.

Naquele céu preto, em parte coberto por nuvens talvez cinzentas escuras, uma linha curva iluminada dava outra beleza à noite.
A lua estava tal como eu a adoro: uma simples e fina linha mas mesmo assim grande e laranja. E como estada disposta em forma de U e não de C ou D como é usual, parecia um maravilhoso sorriso que tornava ainda mais perfeita aquela noite.

Não há dúvida que um simples pormenor consegue mudar o meu estado de espírito.
Ontem um sorriso pintou o céu!

quarta-feira, março 29, 2006

Realmente, o meu feitio é horrível. É impressionante como as pessoas me irritam facilmente.

Mas o que mais me irrita é que elas têm prazer nisso.

Sinceramente, dá-me mais prazer fazer uma coisa que acho difícil de conseguir. Mas há pessoas demasiado "lerdas" para isso.


Outra coisa, que venho a suportar cada vez menos, são as pessoas cínicas. Mas não as simplesmente cínicas, as super-hiper-cínicas! Não irrita? Detesto...



Tenho tido pouco tempo para escrever aqui, com muita pena. Chega a uma altura em que o tempo é pouco e que o tempo que resta só apetece ser passado no sofá.

sexta-feira, março 17, 2006

Bem, esta semana houve de tudo. Um dia em que o meu espírio estava no seu auge, outros em que esteve num nível mediano e hoje estive melancólica e deprimida. Dias de sol, dias de calor, dias de frio e dias de chuva. Um céu azul celeste, um céu cinzento, à noite iluminado pela grande e cheia lua ou fechado por nuvens.
Pode-se dizer que foi uma semana preenchida.

Já tinha saudades do calor do sol a queimar-me a pele. Terça-feira foi um dia maravilhoso. Estava cheia de energia, bem-disposta, estive a apanhar sol durante uma hora e ri, sorri e ri.
Realmente, não há nada melhor do que um dia de sol, a fazer prever uma excelente Primavera, para animar uma pessoa.

Na quarta-feira a história foi diferente. Tive que levar casaco, porque tinha arrefecido e isso notou-se de manhã, quando saí do carro. Assim que saí e expirei pela primeira vez, vi aquele "fuminho" branco sair-me da boca. Sempre que isto me acontece, não consigo evitar pensar, isto desde o Natal, nos jogadores de futebol, só porque vi um jogador de quem gosto a fazer isso num jogo, e eu, ao mesmo tempo, em casa tentei fazer o mesmo! RIDÍCULO!!!!

Hoje... bem, a história foi bem diferente. Depois do habitual esforço físico, perdi toda a energia. Eu gosto de chuva, mas sem dúvida que ela afecta negativamente o meu dia.
Ultimamente tenho tido o desejo de jogar futebol à chuva. "Parece mais real", é a minha desculpa. Mas a verdade é que quando chove às sextas tenho sempre este mesmo desejo.
Outro desejo, que já vem de há mais tempo, é ficar deitada na relva a sentir a chuva bater-me na cara e ficar encharcada.
Às vezes gostava de ser artista. Poder ficar no quarto, sentada em cima da secretária, com um caderno de desenhos sobre as perna cruzadas e deixar deslizar o carvão sobre o papel ao ritmo da minha imaginação. Poder desenhar o mundo que eu tenho à minha volta e orgulhar-me do meu trabalho...


Agora estou melhor. Talvez o meu Angel me tenha ajudado, talvez...