Escrevo a verde
Sobre mágoa
E a água
Que me lava
Não tem cor
Às vezes
Dentro de mim
Vermelho é lava
De vulcão
A querer explodir
Mas não é sangue
Às vezes
O sangue é azul
Mas a mágoa que me abrasa
É mais sublime
Arde em brando lume
E não me arrasa
Nem nunca chegará a ser ciúme
Às vezes
A alma do poeta
É violeta
Cor da bruma
Que se espraia
Na ponta da caneta
E vai morrer na praia
Em branca espuma
Às vezes
São infantis
Os versos, desta raiz,
Que alimentam o meu espanto
Se o mundo é feito de cor
Queria dar-te meu amor...
O encanto
Em arco-íris"
João Moutinho
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