quarta-feira, março 29, 2006

Realmente, o meu feitio é horrível. É impressionante como as pessoas me irritam facilmente.

Mas o que mais me irrita é que elas têm prazer nisso.

Sinceramente, dá-me mais prazer fazer uma coisa que acho difícil de conseguir. Mas há pessoas demasiado "lerdas" para isso.


Outra coisa, que venho a suportar cada vez menos, são as pessoas cínicas. Mas não as simplesmente cínicas, as super-hiper-cínicas! Não irrita? Detesto...



Tenho tido pouco tempo para escrever aqui, com muita pena. Chega a uma altura em que o tempo é pouco e que o tempo que resta só apetece ser passado no sofá.

sexta-feira, março 17, 2006

Bem, esta semana houve de tudo. Um dia em que o meu espírio estava no seu auge, outros em que esteve num nível mediano e hoje estive melancólica e deprimida. Dias de sol, dias de calor, dias de frio e dias de chuva. Um céu azul celeste, um céu cinzento, à noite iluminado pela grande e cheia lua ou fechado por nuvens.
Pode-se dizer que foi uma semana preenchida.

Já tinha saudades do calor do sol a queimar-me a pele. Terça-feira foi um dia maravilhoso. Estava cheia de energia, bem-disposta, estive a apanhar sol durante uma hora e ri, sorri e ri.
Realmente, não há nada melhor do que um dia de sol, a fazer prever uma excelente Primavera, para animar uma pessoa.

Na quarta-feira a história foi diferente. Tive que levar casaco, porque tinha arrefecido e isso notou-se de manhã, quando saí do carro. Assim que saí e expirei pela primeira vez, vi aquele "fuminho" branco sair-me da boca. Sempre que isto me acontece, não consigo evitar pensar, isto desde o Natal, nos jogadores de futebol, só porque vi um jogador de quem gosto a fazer isso num jogo, e eu, ao mesmo tempo, em casa tentei fazer o mesmo! RIDÍCULO!!!!

Hoje... bem, a história foi bem diferente. Depois do habitual esforço físico, perdi toda a energia. Eu gosto de chuva, mas sem dúvida que ela afecta negativamente o meu dia.
Ultimamente tenho tido o desejo de jogar futebol à chuva. "Parece mais real", é a minha desculpa. Mas a verdade é que quando chove às sextas tenho sempre este mesmo desejo.
Outro desejo, que já vem de há mais tempo, é ficar deitada na relva a sentir a chuva bater-me na cara e ficar encharcada.
Às vezes gostava de ser artista. Poder ficar no quarto, sentada em cima da secretária, com um caderno de desenhos sobre as perna cruzadas e deixar deslizar o carvão sobre o papel ao ritmo da minha imaginação. Poder desenhar o mundo que eu tenho à minha volta e orgulhar-me do meu trabalho...


Agora estou melhor. Talvez o meu Angel me tenha ajudado, talvez...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Nascera uma menina. Uma linda menina, desde sempre sorridente. Ela era pequena, loira e esbelta. A sua vida sempre foi de beleza, porque ela acreditava que tudo era belo. A tristeza nunca se apoderava dela, passava apenas por ela como uma brisa.
Com ela nascera uma irmã. Incrivelmente, uns rebeldes caracóis negros cobriam-lhe os olhos tingidos de um azul tenebroso. A vida dela era totalmente contrária à da irmã. Vivia sempre carrancuda, triste e melancólica. Nunca tinha sido de outra maneira.
Apesar de tão diferentes, as irmãs eram as melhores amigas e totais confidentes.
Um triste dia, já as meninas tinham idade para andarem sozinhas, perderam o pai, num drástico acidente de trabalho. Ficaram orfãs, visto que tinham perdido a mãe no dia em que o primeiro ar lhes encheu os pulmões.
A irmã que andava sempre bem-disposta entrou numa enorme depressão e a sua beleza foi-se desvanecendo dentro daqueles olhos profundos, ora totalmente secos, ora sempre a transbordar, e daquelas longas e carregadas olheiras. A irmã e amiga deu tudo de si para a resgatar dentro daquele enorme poço sem fim. Chorava a sua tristeza dentro de si, sozinha. Aquela que raramente sorria estava sempre a disposta a fazê-lo para a irmã, muito sinceramente.
A tia, com quem elas tinham ido viver, nada podia fazer por elas, porque elas afastavam-se dos outros. Todos diziam que a pequena não iria conseguir ultrapassar todo aquele sofrimento e que a irmã iria atrás dela. Só a tia mantinha a fé nas suas "pequenas".
Juntas conseguiram pôr tudo para trás das costas. As cicatrizes? Essas permaneceram, mas foram disfarçadas ou embelezadas por elas.
A pequena, sempre loira, recuperou toda a sua beleza e simplicidade, e retomou o seu espírito alegre, aberto e aventureiro.
Os olhos azuis da sua irmã tornaram-se mais doces e suaves, os caracóis foram postos para trás e isso permitiu descobrir toda a sua beleza selvagem, antigamente escondida. Ela adoptou um pouco o espírito da irmã e o optimismo e a esperança reinaram em si.
Desde esse tempo que as irmãs ficaram ainda mais inseparáveis.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Fim-de-semana dos Coutinhos

Sábado foi um dia bastante preenchido.
A mamã fez anos, então decidi levantar-me mais cedo para lhe ir comprar flores.
Depois da agitação da manhã, partimos todos para Évora, rumo a mais um fim-de-semana em família.
A viagem foi tranquila. Fomos pela ponte Vasco da Gama! Eu adoro aquela ponte, baixa, junto ao rio, agradável. Já no Alentejo, os campo verdes deliciavam-me a vista. Aquelas colinas redondinhas e pequenas, com pequenos amontoados de flores brancas a fazerem-se contrastar naquele imenso verde, eram de uma beleza imensa, que se tornava ainda maior com aquele esplêndido sol que brilhava no céu todo azul.
Durante o almoço, houve uma grande surpresa. A organizadora realizou uma fantástica apresentação com os melhores momentos daqueles fins-de-semana e conseguiu surpreender as 47 pessoas que ali estavam.
Para a tarde seguiu-se o habitual passeio pelas redondesas, para se conhecer um pouco mais a zona.
Depois de grande emoção durante a noite, a cama esperava por mim. O pequeno quarto estava totalmente ocupado por quatro camas e a noite foi bem animada.
Já no domingo, o tempo não estava bom. Chovia quando acordámos. O pequeno almoço, como todos os anos, foi magnífico. Mas o mais lindo foi quando vimos a chuva ficar cada vez mais lenta e grossa e começou a nevar. Não podia ter havido surpresa maior.
As fotografias foram uma atrás das outras, as brincadeiras foram as mais diversas, a diversão foi total.
Estava na hora de regressar, pois os carros já estava todos branquinho, assim como as árvores. A estrada estava a começar a ficar perigosa.
No nosso regresso, as colinas que antes eram verdes com pequenas florzinhas brancas, estavam agora brancas com pequenos círculos verdes, devido à protecção dos sobreiros.
O almoço já foi cá em Lisboa, mas permanecemos quase todos juntos. O que tornou tudo aquilo ainda mais perfeito foi a neve que começou a cair.
O fim-de-semana não podia ter sido melhor.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Hoje senti-me realmente bem! O que posso considerar esquisito, dadas as circuntâncias.
Acordei farta de tudo. Ter de acordar cedo e de começar a rotina era tudo o que não me estava a apetecer, e ponderei a hipótese de ficar em casa.
Não fiquei e ainda bem. Sem fazer nada de especial, começei a sentir-me bem melhor. Bem-disposta, optimista, esperançosa, contente e sei lá mais o quê.
O dia correu na perfeição. A assimilar coisas, a pôr conversas em dia, a aprender coisas novas, a fazer algo que num dia normal nunca faria.
Não deixei de ser eu, isso não, mas o meu eu estava diferente, mais alto.
De roupa toda nova-calças, camisola, botas e até cuecas- e as costas menos sobrecarregadas, a única coisa que me incomodou foram as borbulhas na cara. Ultimamente, têm aparecido aos milhares! O dermatologista diz que esta repentina aparição pode ser a consequência de um stress, grande, de à dois ou três meses. E para mim faz todo o sentido. Por isso, aconselho vivamente a não terem stress despropositados e insignificantes, que, tal como uma bola de neve, vão crescendo até tomarem dimensões enormes, se não as borbulhas atacam-vos!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Previsões para 2006

Sem tempo para actualizar mais regularmente o meu blog, deixo-vos a previsão do meu signo para 2006 e a promessa de que brevemente vos faço uma vizita.


Os nativos de Balança são influenciados pela Carta nº 8 do Tarot, A Justiça, que significa Justiça.

Previsão geral para 2006
Excelente ano para alcançar os objectivos que pretende concretizar. Esta é uma fase em que as oportunidades virão ao seu encontro e o seu espírito encontra-se preparado para elas, pois a sua vitalidade e optimismo perante a vida serão uma constante e permitir-lhe-ão abraçar o sucesso.
Verá agora a recompensa do esforço despendido no desenvolvimento da sua carreira profissional. Alcançará o êxito e o sucesso manter-se-á, pois de tudo fará para garantir a sua felicidade e bem-estar a este nível.
A nível emocional encontra-se muito mais amadurecido e estável e preocupar-se-á em manter a alegria e a criatividade presentes na sua vida. Terá necessidade de emoção na sua vida. Este desejo pode ser traduzido num risco, e também num grande desafio que lhe permitirá alcançar um maior conforto e harmonia.
A nível de saúde, são de assinalar alguns cuidados especiais, nomeadamente no que respeita à alimentação. A prática de exercício físico deverá ser algo a considerar. Uma cirurgia pode ser necessária; isto pode assinalar um período de tempo no qual irá aperfeiçoar alguns dos cuidados de saúde e objectivos de vida que não concretizou antes.
Os relacionamentos estão favorecidos. Pode ser uma altura benéfica para efectuar alterações de modo a que o relacionamento que vive seja mais de acordo com a sua identidade

Traços Gerais:
Os nativos de Balança são pessoas muito afáveis e espalham charme por onde passam. Apreciam tudo o que é bonito e dão grande importância ao vestuário. O gosto por peças de arte constitui um dos seus maiores interesses.
São mediadores e defendem até às últimas consequências aquilo em que acreditam, no entanto são muito justos e leais, não se deixando enganar por falsas aparências. Reconhecem quando não têm razão e como são extremamente equilibrados estão sempre rodeados de bons amigos.
A nível sentimental são capazes de se valer de todo o poder de sedução que têm e o romantismo encontra-se sempre presente. Como são muito inteligentes e observadores, nada lhes passa ao lado, nem mesmo os mais pequenos detalhes.
Outra característica, de que se orgulham, prende-se com o facto de serem muito responsáveis no que fazem e quando cometem erros, sabem perfeitamente onde erraram e prontamente tentam corrigir a falha cometida.
A nível familiar, prezam muito a paz, a união e a harmonia entre todos os familiares.

Mulher: A mulher de Balança é muito meiga, carinhosa e sensível. Trata todos os que a rodeiam com muita gentileza, e gosta que a tratem da mesma maneira. O homem que deseje conquistar uma mulher de Balança, deverá ser afectuoso e carinhoso e terá que a tratar como se fosse uma rainha.
Vaidosa e não resiste à oferta de uma jóia ou um de perfume de boa marca.

Planeta Regente do Signo:
Vénus - Representa a atracção, o amor, a paixão e a beleza. Desenvolve sentimentos profundos e ajuda a ultrapassar problemas amorosos.
Aqueles que nascem sob a sua influência apreciam a arte e a beleza, são carinhosos e apaixonados.

Elemento do Signo
Ar - Representa a rapidez, a inteligência e o talento. Este elemento relaciona-se com tudo o que diz respeito à racionalidade e à inteligência. Os nativos dos signos que pertencem ao elemento Ar (Gémeos, Balança e Aquário) são inteligentes, curiosos e adaptam-se com muita facilidade a novas situações.
Detestam a monotonia, são impulsivos e idealistas.
Estes nativos sentem uma atracção especial por nativos do elemento fogo, porque enquanto os primeiros idealizam os planos e projectos, os segundos têm a energia suficiente para os pôr em prática.

(Devo dizer que, por mais estranho que possa parecer, acertaram em muitas das coisas que aqui estão escritas.)

domingo, janeiro 08, 2006

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

quarta-feira, janeiro 04, 2006

2006

Ai, tenho tanta coisa dentro de mim, tanta coisa para escrever, mas não me sai nada. Pareço um vulcão cheio de lava lá dentro, mas que não entra em erupção. É frustrante.

Bem, só vos desejo um excelente 2006 e espero que consigam aproveitar ao máximo estes 361 dias que ainda faltam.
E que 2006 seja mais pacífico do que os outros anos, que Portugal melhore a sua economia e a sua política, e já agora a educação, que bem precisa. Espero que as férias durem muito tempo. E que saibamos todos aproveitar aquilo que temos e que consigamos esquecer aquela que dizem ser a palavra mais conhecida dos portugueses, a saudade.
Quanto a mim, espero conseguir voltar um bocadinho mais ao mundo da realidade, sorrir mais, chorar menos, ter menos desilusões, ligar menos a parvoíces, viver muitas emoções, realizar os meus sonhos, admirar ainda mais a natureza... Resumindo, viver ao máximo.

Desejo o melhor para todos vocês, porque de certeza que merecem.

sábado, dezembro 24, 2005

No outro dia encontrei um diário meu, de há muito tempo, enquanto arrumava o quarto. São estas as coisas boas de se arrumar o quarto!
Foi giro ler o diário. É esquisita a maneira como eu pensava naquela altura. Eu li muitas das coisas e achei-me totalmente parva. Suponho que naquela altura era normal pensar assim.
Por acaso gostava de encontrar os meus outros dois ou três diários, para reviver os velhos tempos.

Deixo um beijinho de bom Natal para todos e, como não devo cá voltar antes, boa entrada no ano 2006*

terça-feira, dezembro 20, 2005

Porque eu não sinto que é Natal...

Este ano estou a leste de tudo isto. Não fossem os enfeites, as prendas e os vendedores de rua, estaria como sempre.
Onde está aquele espírito, aquela união que se devia sentir? Não é pelas prendas. Claro que gosto das prendas, não posso mentir. Mas o que eu gosto mais é da união familiar, o carinho, da (suposta) pureza da época!
Ainda tenho muitas prendas para comprar. Não me lembro de um Natal sem prendas! Talvez porque isso nunca tenha existido desde o dia do meu nascimento até agora. É estranho. Supostamente o Natal não são prendas. No entanto, é isso por isso que as crianças esperam o ano inteiro. Queria poder recuar o tempo alguns anos, muitos, para experimentar um Natal feito apenas de espírito.
Talvez daqui a um dia ou dois esteja mais entranhada nisto. Só me resta esperar que o espírito cresca!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Just a dream

Prendeste-me com o teu sorriso e enterneceste-me com o teu olhar. Mais tarde, o teu jeito discreto reforçou a ideia de que teria de continuar a contemplar-te.
Não foi uma, nem duas, mas foi definitiva, a terceira vez que te vi e isso bastou para me arrebateres a teus pés e fazeres de mim escrava tua.
De muitas cores já te pintei, todas cheias de vida, mas a imagem mais bonita foi a que conjugou em ti as cores do arco-íris, em que tu eras o amarelo do meu sol, o laranja da minha folha, o azul do meu mar, o anil da minha saia, o verde do meu espírito, o violeta do meu amor-perfeito e o vermelho do meu coração.
Fui-te reconhecendo bem no fundo de mim, nos confins do meu espírito, no esquecimento da minha alma.
Sonhei-te como jamais e imaginei-te como um príncipe, ou talvez como um feitiçeiro. Não, como um anjo, com forte asa, elevado espírito e enorme perfeição.
Mil presentes tenho para te dar, cada um assinado com mais amor do que o outro.
A minha imaginação percorre mundos sem fim e em todos eles te encontro. Já nem sei qual a história mais bela que inventei para nós, de tantas que já foram, todas elas bem felizes.
Um dia o véu que nos separa desaparecerá e diante de mim encontrarei o sonho perfeito.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Um ano

Oh, como as coisas podem mudar num ano.
Lembro-me de andar deprimida no início ano passado, por achar que as coisas iriam mudar radicalmente. No princípio deste ano também esteve em mim a depressão, mas desta vez mais forte e por motivos bem mais convincentes e desconhecidos.
A diferença que eu noto mais, e que hoje me fez sentir incrivelmente bem, é que estamos mais unidos. As pessoas com quem eu convivo no dia-a-dia já se vão conhecendo e falando e convivendo, o que antes nunca tinha acontecido.
Isto deixa-nos tão confortáveis e tão mais confiantes, que até começamos a gostar da nossa real situação e a descobrir coisas boas nela.
Uma conversa, uma partilha, uma frase, um sorriso, uma brincadeira, uma confidência, um elogio, um desenho. Um tempo, tempo de mudança.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Hoje, por volta das 9h

Acordei mais cedo do que é normal. Vi-me ao espelho e o meu rosto estava branco, branco como eu nunca o tinha visto. As rosáceas nas maçãs do rosto que me caracterizam não estavam lá. Não havia vestígios de cor no meu reflexo, apenas dois pequenos pontos vermelhos se distinguiam numa das faces.
Tomei um banho quente, que na altura me ajudou a acordar.
Começou a rotina.

Agora o meu rosto ferve. As minhas mãos estão quentes e, apesar de não sentir os pés, o resto do corpo está quente. O casaco foi despido e ficou para trás.
Estou junto à janela que está aberta, mas o meu corpo não arrefece.
Os olhos tendem, consecutivamente, a fechar.
Lá fora, a luz solar ilumina o nosso dia e o céu está, mais uma vez, limpo. Os estores estão fechados para o sol não nos bater nos olhos e nem nos distrair.
Lembro-me dos dias de Verão. Hoje parecem mais próximos, porque parece que os dias passados em casa, com os pés e as mãos estendidos na direcção do fogo, já passaram. Se não fosse a falta do aroma das flores, sentia-me num dia de começo de Primavera. Até se ouve o canto dos pássaros.
Daqui a 2 horas e 35 minutos acaba tudo. A minha cabeça vai poder descansar, mas o meu corpo não pode seguir o mesmo caminho.
Espero no princípio do fim-de-semana poder sentir-me entre os anjos.

domingo, dezembro 11, 2005

O ar estava ameno, no entanto o vento frio causava uma situação de desconforto.
O céu estava todo azul e só a enorme lua se intrometia na sua homogeneidade. A luz do sol reflectida na superfície do sujo rio feria os olhos.
O rio tinha um cheiro desagradável. A maré estava a descer. A corrente do rio estava fortíssima.
Inúmeros barcos por ali passavam. Desde um enorme cargueiro, a alguns barquinhos com as velas subidas. Cheguei a ver um minúsculo barco a tentar subir o rio, contra a maré, sem qualquer sucesso.
As gaivotas sobrevoavam-nos. Algumas pousavam no rio e deixavam-se levar pela maré.
O barulho dos carros a passarem na ponte cortava a paz daquele momento.
As pessoas que por ali andavam traziam vivacidade à paisagem, tornavam-na mais agradável. No caminho para o carro, vi um rapaz e uma rapariga num banco, sentados, a apanharem sol e a observarem o rio. Desejei trocar de lugar com eles e estar acompanhada pelo meu anjo, ou até mesmo estar ali sozinha.
Foi mais uma tarde passada em família.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Precipitação

Penso que todos nós já fizemos uma avaliação precipitada sobre alguém. Talvez seja uma característica do ser humano. Ou talvez exista alguém que nunca o fez.
Muitas vezes a primeira impressão sobre alguém é a que marca e a que permanece. Essa opinião pode mudar, dependendo da disposição da pessoa que fez a avaliação.
Já me aconteceu várias vezes cometer este erro. Talvez devido à minha impaciência para certas coisas. Mas a verdade é que a maior parte das vezes recebo boas surpresas.
Lembro-me que numas férias de Verão, durante um campo de férias, fizemos uma actividade que consistia em ir, um por um e em silêncio, a uma bacia cheia com água, olhar para ela, ver o nosso reflexo e pensar sobre as pessoas que tinhamos julgado precipitadamente naquele campo.
A verdade é que todos os dias eu devia fazer aquele exercício. Talvez ajudasse.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Fantasia

Era uma vez um rapaz e uma rapariga. Ele era famoso mundialmente. Ela era uma adolescente como tantas outras.
Quis o destino que se conhecessem e que mais tarde partilhassem um amor.
Passou-se um ano desde a primeira vez que os seus lábios se tocaram. Um ano. E é passado um ano que eles passam o seu primeiro fim-de-semana oficial juntos. Foram para um hotel de classe em Londres. Eles, todos os colegas dele e as respectivas acompanhantes.
Ela estava radiante, o medo que antes sentira, e que voltaria a sentir mais tarde, desaparecera com a presença dele a seu lado. Depois de se instalarem, decidiram todos ir conhecer a cidade e tentar divertir-se ao máximo.
Mais tarde, poucas horas antes do jantar de cerimónia, ela desapareceu, mas ele não se preocupou pois sabia onde ela estava. Ele tomou um longo e quente banho para relaxar e vestiu o seu escuro e elegante fato. Pouco depois ela apareceu, deslumbrante. Ele ficou sem palavras e ela nunca se tinha sentido tão bela. Tiraram fotografias na suite e cada gesto de ternura que trocavam refletia o amor que sentiam. Foi o amigo que gravou aquele momento. O melhor amigo dele e dela, o amigo das brincadeiras, das confissões, dos sorrisos, das lágrimas, das felicidades, das angústias. O amigo.
Chegou a hora e eles foram para a cerimónia e ela cobriu as suas costas com uma maravilhosa encharpe.
Conseguiram ambos escapar às habituais fotografias da entrada dos convidados. O coração dela batia a toda a velocidade, mas o toque da mão dele na sua acalmou-a e fê-la sentir-se protegida. Durante o jantar ela conheceu alguns dos seus ídolos sem conseguir esconder a sua excitação. Ela tentava manter-se discreta, apesar do seu longo vestido sem costas, da arte com que estava penteada e da magia das cores e das formas com que o seu rosto estava pintado. Ele não conseguia tirar os olhos dela e não era o único.
Horas mais tarde voltaram ao hotel, cansados, doridos e com sono. Ela tirou as sandálias de salto que combinavam com o seu vestido e que tornavam os seu pés perfeitos, e foi-se preparar para dormir. Ele convidou os amigos para irem à sua suite comemorarem o prémio que tinham ganho.
Ela já dormia e sonhava e sorria. Acordou de repente, como que se com um pressentimento. Ele não estava deitado a seu lado. Foi até à porta do quarto e sentou-se junto a ela, no chão, encostando os joelhos ao peito e envolvendo-os com os seus braços. Ele continuava acordado, agora apenas acompanhado pelo amigo. Ela ficou a ouvir. "Nunca o fizemos. Claro que já pensei nisso e já lho disse, mas ela é muito controladora. Esta tarde, depois de ter tomado banho, ela passou por mim apenas de toalha e veio-me dar um beijo, que acabou por se transformar em vários. O ambiente começou a envolver-nos mas ela resistiu e foi-se vestir, e eu também fui obrigado a controlar-me." Nunca ele se podia ter declarado de forma tão sincera a ela. "O desejo que eu sinto, e que aumenta cada vez que olho para ela, está sempre presente. Mas todas as noites que dormimos juntos eu não preciso de estar dentro dela para respirar o calor do seu corpo e sentir a fusão dos nossos corpos num só." Ela voltou para a cama e nessa noite ela dormiu como um anjo.
Amanheceu e ela acordou enquanto a luz de manhã inundava o quarto. Ele ali estava, a observá-la e isso deixou-a segura. Ela estava preparada. Chegou-se a ele, abraçou-o e beijou-o. O ambiente aqueceu, as carícia começaram e pela primeira vez ele não precisaria de parar. Pouco depois os dois corpos nus já estavam um sobre o outro, a respirar o calor um do outro, a amar-se. Na cabeça dela tudo era uma maravilhosa dança de mil e uma cores que a fazia feliz, e as imagens foram mudando. Ele saiu de dentro dela mas os seus corpos permaneceram colados, quentes. Naquele momento sim, ela nunca se tinha sentido tão bela. Foi então que ambos ouviram pela primeira vez a voz um do outro desde a noite anterior, dizendo um simples e sentido "Amo-te".
Desde esse momento que se tornaram inseparáveis. O amor cresceu. A paixão entre eles ardia aos olhos de todos. O romance continuou.
Quis o destino que, mais tarde, muito mais tarde, seguissem caminhos diferentes, mas sem nunca perderem a amizade e a cumplicidade que os caracterizava.
E viveram felizes para sempre, separados, mas para sempre unidos.

terça-feira, novembro 29, 2005

A minha sorte

Há realmente alguém que me está a sorrir desde quarta-feira, sorriso esse que eu tanto senti no domingo. Quarta-feira porque as dores de cabeça me deixaram e as tonturas se desvanceram, e porque foi nesse dia que a minha sorte começou. Aquilo que eu ganhei deixou-me radiante, mas não durou o dia todo, pois, se bem me lembro, quando me deitei estava bastante desanimada.

Foi tudo correndo como habitualmente, até domingo. Domingo a minha sorte aumentou e durante quatro horas eu consegui retribuir àquele sorriso com uma enorme alegria e emoção sinceras. Penso que não me sentia assim feliz há algum tempo e soube tão bem...

Ontem de manhã, quando tudo já tinha voltado ao normal, fiz a minha viagem matinal em silêncio. Não fosse a presença do meu pai e a falta do meu urso e estaria dividida entre a tristeza e um bem-estar infinito.
Pela primeira vez gostei daquela música que ouvi. O sono imperava em mim. O nariz e as mãos estavam geladas. Mas isso deixava-me confortável, deixava-me bem comigo mesma. O que me fazia sorrir era a lembrança da noite anterior. Mas não passava disso, de uma lembrança, e estava triste por ter acabado e por estar triste por isso. Estava triste por não ter conseguido fazer a felicidade permanecer.
Passei o dia com saudades de não sei bem o quê. Apenas sei que precisava de mimos, mimos esses que não tinha, porque os mimos de que eu precisava não eram mimos de pais ou amigas, mas mimos de alguém que não mos pode dar. Ou seja, sentia falta de uma coisa que nunca tive.
Desejei todo o dia estar em casa para me poder agarrar ao meu urso, talvez por pensar que era os mimos dele de que eu precisava. Mas talvez não fosse a falta de mimos que me mantinha encurralada, porque a minha carência continuou.
E o perfume de homem que eu pus de manhã não ajudou em nada, pois o seu aroma fazia-me lembrar, não de alguém específico mas, de alguma coisa que eu nunca tive.
"A verdade é o que vai desde aquilo que pensamos até àquilo que fazemos"

Padre Alberto

quinta-feira, novembro 24, 2005

Os últimos três dias

Fecho os olhos e o mundo escuro começa a rodar. Roda tanto... Como se estivesse tonta depois de rodar sobre mim vezes sem conta, de braços abertos e olhos fechados.
A cabeça doi como tudo, dia após dia, sem dar qualquer descanço.
As tonturas são mais que muitas. Estou sentada, de repente a cabeça começa a dirigir-se perigosamente depressa em direcção ao chão. Fica tudo escuro! Não, afinal ainda estou sentada na cadeira, mas deito-me em cima da secretária para prevenir.
Durante o dia parece que corre tudo como de costume, apesar de sentir a todos os momentos as emoções à flor-da-pele. Chego a casa e o tempo acaba para tudo. Aquele tempo que eu tinha em ambundância só para mim acabou.
E esta nostalgia que frequentemente se faz sentir não melhora nada.
Paro um bocadinho. Recebo uma massagem na cabeça, tão bom... Fecho os olhos, o corpo está mole. O tempo, agora, parece infinito. Ouço cantar uma música de embalar da minha infância. Começo a ver tudo nublado devido à parede de água que se forma nos meus olhos, que ameaça desmoronar-se mas isso eu consigo evitar. Nem tempo tenho para chorar. Fecho mais uma vez os olhos para tentar fazer durar aquele momento para sempre, porque eu sei que quando os voltar a abrir já tudo voltou ao normal.
Custa-me continuar, mas vontade e esperança não me faltam. Se ao menos a cabeça parasse de rodar...

(Escrevi este texto ontem à noite. Hoje o dia correu bem melhor e já vejo com lucidez o que está à minha frente. Parece que estão a sorrir para mim e que a mão me afaga o cabelo.)

sexta-feira, novembro 18, 2005

Peço imensa desculpa por ter andado desaparecida, mas não tenho tido tempo de vir ao computador. As coisas cá por casa andam a mil à hora.
E é também por isso que não vos tenho vizitado. Mas prometo que quando isto por aqui estiver mais calmo vos vizito a todos.

Se há uma coisa que aprendi com esta confusão toda é que, quando tudo voltar ao normal, nunca mais vou dizer que não tenho tempo.