Hoje de manhã no metro vi uma rapariga que me chamou a atenção de uma maneira especial. Então, pus de lado o jornal e fiquei a observá-la, talvez porque sentia em mim um estranho desejo de a querer conhecer.
A minha primeira impressão foi de que ela era apenas mais uma universitária sonolenta. Ela estava em pé, encostada a um canto da carruagem, abraçada aos seus cadernos e com uns phones nos ouvidos. Quando entrou no metro, tinha o nariz ligeiramente vermelho e o casaco fechado até cima, para proteger o pescoço, reflexo do frio que já se faz sentir.
Via-se pelas grandes olheiras presentes debaixo dos seus olhos e pela sua postura que estava cansada, talvez devido ao trabalho na faculdade. Mas os olhos dela diziam que havia algo mais. Tinha os olhos brilhantes, mas ao mesmo tempo estavam tristes e espelhavam alguma decepção. Se calhar por problemas familiares ou talvez um desgosto amoroso. Pela maneira bastante pausada e hesitante como escrevia uma mensagem e pela forma espectante como segurava o telemóvel e como depois o guardou quando não recebeu uma resposta, apostava mais na segunda hipótese.
Foi todo o caminho absorvida totalmente nos seus pensamentos, abstraída de todas as pessoas que entravam e saíam das carruagens. De vez em quando fechava os olhos, como se se quisesse deixar ir, mas apenas durante breves segundos. Contudo, houve uma vez, depois de olhar para o visor do ipod, em que me pareceu ver uma sombra de um sorriso imediatamente antes de ela fechar os olhos, deste vez durante um longo momento, e depois de os voltar a abrir a custo vi uma lágrima a percorrer-lhe a cara, mas ela foi tão rápida a escondê-la que só eu devo ter reparado nela. Gostava de ter estado dentro da cabeça dela durante o tempo em que ela esteve de olhos fechados, gostava de lhe ter lido todos os pensamentos que a fizeram derramar aquela lágrima, gostava de saber o porquê daquela música ser tão especial para a ter feito vir abaixo.
Ela saiu na mesma estação que eu. Foi andando apressada, um novo dia já tinha começado. Não lhe consegui ver um sorriso, mas tenho a certeza que ela é especial e que não tem a noção disso.
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2 comentários:
Fragmentos.
Uma manhã familiar...
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