segunda-feira, setembro 10, 2007

É só complicar, é simples

Cada vez mais tenho a sensação de que nós, os "crescidos", só sabemos complicar as coisas.
Quando não estamos bem, estamos à procura de razões para sofrer; quando não estamos a inventar coisas, estamos realmente a sofrer; e quando por fim conseguimos recuperar, começamos de novo a escarafunchar um lugar desconhecido à procura de uma dor ainda maior.
Nunca estamos satisfeitos com o que temos, com o que nos dão.
Porque é que se uma pessoa gosta de uma coisa não faz tudo para a ter? Porque é que se eu gosto de fazer uma coisa, simplesmente não a faço? Porque é que duas pessoas que gostam uma da outra não estão juntas? Há sempre qualquer coisa, uma coisa minúscula que faz as pessoas duvidarem, que faz as pessoas pensarem. Porque é que as pessoas têm que pensar em tudo, porque é que não se podem deixar ir?

terça-feira, setembro 04, 2007

Numa noite, algures em Espanha

Eu sempre achei que me conhecia. Pelo menos sempre achei isso desde que penso nessas coisas. No mínimo, achava que me conhecia melhor do que muitas pessoas que pensam conhecer-se.
Só nos últimos dias é que tenho vindo a descobrir o quão errada estava. O Homem é um ser em constante mudança devido às diversas situações que se lhe apresentam. E cada experiência nova é uma marca diferente, uma mudança, por mais ínfima que seja. Talvez o propósito da nossa vida seja conhecermo-nos a nós próprios na nossa individualidade e no meio social. Um trabalho de uma vida.
Hoje não sei o que sou. Eu que sempre me orgulhei da pessoa que era, salvo uma ou outra coisa, hoje estou perdida. Eu sei o que fui, ou pelo menos o que penso que fui ou tentei ser, sei o que quero vir a ser, mas o que eu sou hoje esfumou-se, perdeu-se no meio de tantos sentimentos novos. E agora não me consigo definir. Eu sei de onde venho, o que tenho, do que acho gosto, mas como pode existir uma pessoa sem saber o que é?
Umas férias esquisitas, principalmente a última semana. Foi de certeza para me pôr à prova, para me preparar para o que me espera na minha nova vida.
Confusão de sentimentos, num dia um, no dia a seguir outro, tudo misturado, tudo junto. Tudo junto... Não tive tempo para respirar, mesmo quando pensava que tempo era o que eu tinha de sobra.
Foi uma lição de vida. Talvez tenha sido preciosa, porque eu não estava preparada para enfrentar o mundo sem protecção tal como estava.
Cresci? Mudei! Para melhor? Só o tempo dirá...

quinta-feira, maio 17, 2007

Sabes aquelas alturas em que te apetece estar bem longe, mesmo que tudo esteja bem? Eu estou assim.
O meu corpo está a ceder, já não aguenta toda esta agitação, o stress. Já mal sinto as pernas, os ombros não se endireitam, o pescoço dói. Estou cansada.
Acho que vou chorar. Sinto os meus olhos rasos de água, uma lágrima a querer percorrer-me o rosto. Há quanto tempo isso não acontece?
Sinto saudades das coisas simples... Quando é que eu começei a ficar tão complicada? Tenho saudades de ser o "caracol". Tenho tanto em cima mas parece que a "casa" se foi...
Apetece-me fechar os olhos e só acordar quando o meu corpo estiver recuperado. Quero adormecer e depois abrir os olhos e ver tudo claro.

sábado, maio 05, 2007

Uma noite qualquer...

Os braços à minha volta faziam-me sentir segura. O calor do corpo contra o meu aquecia-me naquela fria noite de Primavera. A mão a desviar-me o cabelo fez-me sentir confortável, ainda mais do que o meu vestido me fazia sentir.
Tentámos prolongar aquele abraço ao máximo. A confusão da noite nas docas passou-nos despercebida, as pessoas passavam por nós, havia um constante barulho de fundo, mas nada nos perturbava. Todos os que passavam pareciam estrangeiros; todos eram estrangeiros, porque nenhum pertencia ao nosso mundo, ao mundo que era só nosso.
Hmm, que cheiro bom. Que paz... Que perfume será este? Quero um igual para mim, quero-o poder ter todos os dias!
Fechei os olhos. Só mais um pouco, por favor. Deixei de ver o lindo quadro da ponte e do Crito Rei iluminados e a lua a iluminar-nos. Deixei de ver fosse o que fosse, deixei de pensar. Começei a sentir tudo, de todas as maneiras, porque sabia que aquele momento ia acabar brevemente. Os corações acelerados, a pele quente e macia... Sentíamos que pertencíamos ali. Um último suspiro...
Separámo-nos e olhámo-nos mutuamente. Sorrimos, não era necessário utilizar as palavras, e depois seguimos o nosso caminho.

quarta-feira, abril 25, 2007

São dias!

Todos nós temos dias bons e dias maus, uns mais do que outros. Eu sou do tipo que tem vários dias maus.
Nos dias maus a minha cabeça dói, os pensamentos baralham-se e a confusão de sentimentos é total. Nestes dias tenho uma tendência ainda maior para complicar as coisas...
Mas os dias bons compensão tudo. Penso o menos possível, deixo-me levar pelo que me faz sentir bem, faço o que quero, sou feliz.
Os últimos dois dias foram normais, bons, perfeitos! Tudo se começa a compôr, a fazer sentido. Sim... pensar demasiado às vezes atrapalha.

segunda-feira, março 26, 2007

Estou com saudades

Saudades do tempo em que tinha tempo para tudo, quando os meus problemas não passavam de meras invenções da minha cabeça- se é que não continuam a ser...- e quando só me tinha que preocupar com coisas supérfulas. "Vamos só comer um gelado à praia..." e descíamos assim um número imenso de degraus apenas para estarmos mais próximos do Mar." Hoje estou perdida no mundo "dos crescidos", sem saber muito bem para onde me virar, desejando que tudo não passe de um sonho, porque os sonhos são bons, não nos prendem a nada a não ser às nossas próprias vontades. Era uma vez um rapaz e uma rapariga. (...) Passou-se um ano desde a primeira vez que os seus lábios se tocaram. Um ano. (...) Nunca ele se podia ter declarado de forma tão sincera a ela. (...) "Amo-te". O mundo é negro, feio na verdade, nada parecido com aquilo que passamos anos a imaginar, e o que idealizamos vai ficando para trás, esquecido. "Flying star?!" era uma noite que acabara de se tornar perfeita. "Falling star!" sim, perfeita, com o céu escuro e uma t-shirt laranja. A mudança é inevitável, acontece mais cedo ou mais tarde, por mais difícil que seja, por menos seguros que nos sintamos... "Tenho medo"... "Não sinto o mesmo por ti"..."És bonita"..."Estou farta" tu não sabes, eu também não sei, mas a verdade é que há uma decisão a tomar...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

As recordações são algo que temos ou que perdemos?

terça-feira, janeiro 30, 2007

Eu sou aquilo que não fui ontem e uma sombra do que vou ser amanhã.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Fim-de-semana de Turma

Há alturas na nossa vida em que mudamos. Mudamos porque é necessário, porque assim o decidimos ou simplesmente porque mudamos.
Eu estou numa fase em que estou diferente, a precisar de emoções novas, pessoas novas, sítios novos. Parece que tento não profundar certas coisas demasiado com as pessoas mais próximas (ou até nem próximas). Porquê? Talvez por precisar de ver o mundo que me rodeia de fora, de outra perspectiva.
Penso que foi isso que me levou a gostar tanto deste fim-de-semana. Terá sido por isso? Sei que gostei, que deu para me conhecer melhor, ir a um lugar diferente com várias pessoas diferentes.
Um dia temos que repetir...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Olho com atenção...

É então que eu me apercebo, no meio do meu estagnado mundo, que o problema sou eu. A minha atroz vontade de fugir daqui, de tudo o que me rodeia no meu dia-a-dia, deve-se à minha actual maneira de ver as coisas e de as interpretar. São os meus incessantes pensamentos, a minha constante vontade de querer voltar atrás, de querer voltar a pôr tudo como era antes, é o meu presente estado que me faz querer desaparecer. Não foi o mundo que mudou à minha volta, fui eu que mudei. Eu era feliz na minha ignorância, por que é que tiveram que ma roubar?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Esta noite é noite de lua cheia. Há magia espalhada por toda a parte.
A lua deve ter lançado um qualquer feitiço sobre mim, que eu não consigo parar de olhar para ela. Isso já uma situação comum, mas hoje a lua está especialmente bonita! Ou serei eu que estou diferente? É a primeira vez que eu vejo a lua com um plano escuro por trás este ano.
Está linda. As pequenas e finas nuvens, quase inexistentes, são como uma névoa a passarem à frente da lua, mas sem nunca a esconderem. A lua hoje está grandiosa, com um magnífico luar.

Hoje recomeçou tudo de novo. O meu único desejo é que aquilo que eu recuperei nestas férias seja o suficiente para aguentar os próximos três meses. Estou ansiosa para que voltem outra vez as férias, porque eu começo a descobrir que só nas férias eu consigo ser sempre eu própria, sem fingimento. E eu quero que seja sempre assim: eu quero ser e ser e ser sempre.
Peço desculpa a todos aqueles que me visitam com alguma frequência por ter desaparecido durante tanto tempo, mas eu estive sem internet e embrenhada nos estudos...
Apesar de agora continuar sem internet, prometo que vou escrever muito mais no meu blog, porque vou começar a utilizar o computador do meu irmão!
Bom ano para todos.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Música

Hoje tive que fazer um exercício engraçado. Ouvia uma música e depois tinha que escrever o que quer que fosse acerca dessa música, o que me viesse ao pensamento.
A música era a Estrela do Mar, do Jorge Palma. Linda música que fez despertar em mim emoções passadas.
O meu mais longo sonho de Verão despertou e a minha imaginação correu, mais uma vez, mundos sem fim.
A vontade de voltar é enorme. Penso que nunca foi tão grande. Naquela altura tudo era simples, fácil. Nestas últimas semanas o tempo parece que custa a passar e só apetece vir para casa, deitar-me na cama e desligar a cabeça para não pensar, apenas sonhar. Não me importava que a minha vida fosse feita à base de sonhos!


Esta música despertou o meu lado mais secreto. Qualquer outra música poderia ser aplicada noutra altura da minha vida. Todas as músicas, ouvidas com atenção, se conseguem ligar a episódios da nossa vida. É preciso é deixá-las entrar.

sábado, outubro 21, 2006

Continuar

Os últimos dias foram essenciais.
Foi como se tivesse acordado para a vida real. Saí do meu mundo e vaguei pela realidade para descobrir a normalidade das coisas.
Não ouvi as palavras que queria, mas na minha cabeça continuava tudo igual.
Mas agora, já sei que posso seguir em frente, sem remorsos.
Dentro de mim eu quero dar uma volta de 180º graus. Sinto-me totalmente preparada para isso. Já mudei, hoje notei que sim. Vamos esperar para ver nos próximos dias.

quarta-feira, outubro 11, 2006

coNtradiçÃO

Hoje fiz aquilo que já queria fazer há algum tempo. Arrependi-me, de certa forma. Mas em todos os dias até hoje eu vivi um arrependimento constante. No fundo queria mas não queria, não queria mas queria!
Agora só me apetece estar a desejar o impossível, basear a minha vida vivida num sonho. Curiosamente, isso era tudo o que eu menos queria na altura em isso acontecia. O que me está a provocar a minha dor recente foi o que me salvou da minha dor passada!
Depois de tudo, eu só desejava que a atenção não se centrasse naquelas palavras que foram tão custosas a sair, só queria que aquilo permanecesse para sempre na mente!
Ontem eu imaginava dois cenários possíveis, na minha cabeça. Os dois eram totalmente opostos, um que me fazia feliz, o outro que me deprimia. O meu mundo, aquele no qual só eu existo verdadeiramente e tudo o resto é imaginado, vai de um extremo ao outro, mas a minha visão nunca pára no meio dos dois extremos. No meu mundo eu só vejo o 8 ou o 80, o bom ou o seu contrário.
Dói quando é a parte má que ganha....

terça-feira, outubro 10, 2006

Sabes como é que eu me estou a sentir neste momento? Sabes o quão podre me estou a sentir agora? Não é o corpo, apesar dele também se estar a ressentir, mas sim a mente, o espírito. Estou a morrer por dentro, o que é incompreensível depois deste dia magnífico que eu passei. Sinto-me tão mal por ter estes momentos, por não me conseguir controlar, por não conseguir agarrar as coisas boas e simplesmente esquecer aquele único momento mau, que talvez não fosse aquilo que eu percebi. Como é que eu consigo deixar que a minha vida seja totalmente controlada pelos sentimentos?
Tu notas quando eu tenho estes momentos. Perguntas "o que é que tens?" e aquilo parece-me tão simples que eu respondo "nada, estou apenas cansada!", porque tenho vergonha do que estou a pensar, a sentir, ainda por cima depois do dia de hoje, em que estivemos em contacto com problemas bem maiores. Eu acho que tu não acreditas, mas deixas...
Apetece-me chorar como tudo, mas não encontro uma razão válida para o fazer. Não quero chorar por uma estupidez, por um sentimento que me faz sentir repulsa! Quero comer chocolates, ver um filme romantico e chorar, porque aí já posso chorar. Quero ouvir música e chorar, por assim também posso chorar. Quero fazer um sorriso desesperado e chorar, à espera que quem eu quero que veja, veja! Quero deitar-me na cama, junto dos meus companheiros silenciosos e deixar a minha cabeça viajar pelo limiar do que é aceitável.
No fundo apenas quero passar despercebida, mas sem passar. Quero-me sentir grande, mas sem o ser. Quero chorar, mas sem que dos meus olhos caia uma lágrima. Quero entregar-lhe uma lista do que eu quero e receber tudo, mas voluntáriamente e inconsciente de que é isso que eu quero....

quarta-feira, outubro 04, 2006

Do terraço, onde o ar fresco de início de noite me arrefecia a pele dos braços e dos pés, via somente uma imensidão de casas e árvores, todas parecendo mais baixas do que eu. Mas a minha visão permitia-me apenas fixar o que estava directamente à minha frente: duas árvores do meu quintal; mais para a direita, no jardim das vizinhas, um pequeno chorão; ao longe duas palmeiras, uma mais alta do que a outra e no centro a torre da igreja da pequena vila. Por trás aparecia a lua, grande e amarela, disposta em D, como um enorme sorriso, por vezes escondida por pequenas nuvens pretas.
Eu queria que a minha máquina captasse a perfeição daquela imagem. Sim, perfeição, porque parecia um lindo quadro, famoso ou não. Mas há imagens que só se podem registar na memória, com a esperança de que para o ano continue perfeito.

(e foi com esta imagem, debaixo daquele céu tão espantosamente estrelado, que eu tentei afastar a solidão que se apoderava de mim há uma hora atrás. Penso que só a aumentei!)

quinta-feira, setembro 14, 2006

Viagem

A trovoada já não se ouvia. Os clarões que rasgavam o céu já tinham desaparecido. Ela ia sentada no carro, observando a chuva. Deu por si a fixar as gotas que escorriam pelo vidro da janela. As gotas caíam rápidas e algumas acabavam a sua curta vida espalmadas numa janela de um carro qualquer (saberiam elas o que era um carro, o que era o mundo dos humanos?), dizendo as suas últimas preces nos últimos momentos de vida, enquanto escorriam pelo vidro.
Ela deixou a mente deslisar para longe. Passaram-lhe pelo pensamento os seus dois últimos Verões e recordou-se da sua viagem pelo oceano sem fim, o rapaz de olhos verdes e costas largas; uma tenda e um grupo de novos amigos; o vizinho e o outro vizinho, o corpo moreno e os olhos amarelos. Ao mesmo tempo que a sua mente rebuscava os seus velhos tesouros, ela ouvia e cantava "I'm walking away from the troubles in my life, I'm walking away oh to find a better day". A música fazia-lhe todo o sentido e era isso mesmo que ela desejava fazer, mas ao deixar o seu pensamento repousar sobre assuntos antigos não estaria ela a fazer precisamente o contrário? Ela recordava-se bem do que tinha sofrido o ano passado.
Então, deixou que os sonhos que ela tinha para este Verão lhe inundassem a cabeça. Nesses sonhos ela não pedia nada de transcendente, eram apenas sonhos de uma adolescente, de uma rapariga que queria ser feliz. Subitamente, todos esses sonhos lhe pareceram impossíveis de concretizar, talvez pela música que agora enchia o carro. Aquela música fazia-a lembrar aquilo de que ela fugira. Mas naquele momento nada lhe parecia tão terrível e odiável como ela se lembrava. Talvez ela tivesse apenas uma necessidade de se afastar.
Abandonou aqueles pensamentos complexos e voltou a mergulhar no seu mundo de ilusão. Momentos mais tarde, ela despertou do seu transe como que de repente. Então, o mundo que a rodeava pareceu-lhe sinistramente estranho.