terça-feira, setembro 23, 2008

Não percebo porque é que as pessoas se dão ao trabalho de gostarem de mim. Já toda a gente devia que eu acabo sempre por fazer qualquer coisa estúpida e egoísta que as vai magoar.
Está provado que assim é. Parece que quanto mais as pessoas gostam de mim, mais coisas faço para as magoar. Talvez não me sinta digna de tanto amor, ou talvez não queira ficar dependente dele ou que as pessoas fiquem dependente dele, por isso reprimo-o. Primeiro aproveito-o, deixo que ele cresça e depois estrago-o. Não consigo explicar.
Ainda não consegui descobrir que espécie de monstro sou, mas devia ter um rótulo na testa a dizer "Perigoso! Não aproximar!"
Neste momente sinto-me sozinha, parece que já afastei quase todas as pessoas que gostavam de mim e me fazem realmente falta.

sexta-feira, julho 18, 2008

Há momentos que não podem ser substituídos, lembranças que só com o tempo podem desaparecer.
Esta semana de descanso, longe da confusão rotineira, teve muitos momentos novos que ajudaram na reconstrução da minha pessoa.
Lembrou-me principalmente que a praia sob uma lua cheia pode ser perfeita na companhia de amigos.

quarta-feira, julho 09, 2008

Como é que fazemos com que o nosso coração deixe de bater tão depressa?
Como é que conseguimos evitar os sobressaltos repentinos, as emoções reprimidas?
Quem nos cura por dentro quando o tempo nada faz, para além de aprofundar a ferida que já se transforma num buraco negro?
Quando é que é suficiente?

domingo, junho 29, 2008

Vou dizer a verdade, continuo magoada. Não sei bem se é mágoa, se uma profunda tristeza ou decepção, provavelmente uma mistura de todos. É uma coisa que não me larga, quando ando é a minha sombra, se corro ela persegue-me e se fico simplesmente quieta ela fica a meu lado, quase como se me estivesse a abraçar.
Preciso de mais, ainda mais do que fantásticas noites com amigas em que me sinto totalmente livre. Preciso de sentir que tudo à minha volta é normal, que está tudo bem e que o constrangimento já não existe. Acredito que assim seria mais fácil e talvez conseguisse perceber de uma vez por todas que eu segui realmente com a minha vida para a frente. Mas não depende só de mim...
Pergunto-me até quando isto vai durar, se este vazio cá dentro algum dia vai desaparecer.

quinta-feira, maio 15, 2008

Tomo banho com a minha visão cega, tentando lavar-me de mais um dia. Lavo o cabelo, a espuma escorre-me para os olhos e sinto-os a arder, mas não os posso esfregar pois sinto as mãos também com espuma, por isso recuo dois passos para encontrar a água que cai forte.
Estou reduzida a isto, a sensações na minha já desconhecida pele, porque a visão me foi roubada. Apenas sinto quando alguém me tira algo da mão e deixa ficar a sua mão na minha por meros segundos, sem conseguir ver o que isso significa.
Estou às escuras, tudo o que eu vejo é preto, sombrio, sem sinal de um raio de luz iminente. Perdi o caminho que tinha desenhado para mim, perdi a beleza de um pôr-do-sol e dos relâmpagos a rasgarem o céu escuro, perdi o meu equilíbrio, perdi a capacidade de ver as pessoas que precisam de mim. Agora as pessoas precisam de falar comigo, explicar tudo o que está à minha volta para que eu consiga perceber onde estou. Precisamos realmente de usar as palavras, acabaram-se aqueles momentos profundos em que uma troca de olhares ou um gesto bastava.
Desejava que não tivessem levado a minha visão, pelo menos assim teria cores vivas e figuras bonitas e quando acordasse de um pesadelo e abrisse os olhos saberia que tinha acabado. Tudo o que tenho são as recordações, memórias do que eu em tempos vivi. E são elas que mais me magoam, que me prendem àquilo que eu um dia tive e que me dão esta ridícula esperança de um dia conseguir abrir os olhos e ser feliz.
Mas que outra coisa me podiam ter tirado sem que eu sentisse falta logo a seguir? O olfacto não, assim deixaria de poder ligar os cheiros às pessoas, sítios e memórias; nem a audição, pois não poderia ouvir risos ou músicas que tanto despertam em mim. Muito menos o tacto, mas de que me serve sentir uma carícia se não consigo ver o rosto de quem a faz para saber se é de troça, nojo, compaixão ou amor profundo? Podiam-me tirar o paladar, já que tudo me sabe igual. Melhor ainda, que me tirassem os sentimentos, pois esses eu poderia inventar de maneira bem mais fácil e promissora.
Estou perdida num mundo que agora desconheço e preciso da minha visão para me encontrar.

sábado, maio 10, 2008

Acordar

Aproveito uma noite de extremo cansaço para tentar voltar a dar vida a este meu pequeno refúgio.
Não consigo dizer o que me aconteceu nestes últimos meses, apenas que houve uma avalanche na minha vida que eu ainda não consegui travar por completo. Estou perdida, perdida num mundo que não é o meu.
As palavras tornaram-se difíceis, difíceis de dizer e de escrever. Li os meus antigos texto, da época em que eu conseguia transparecer tudo aquilo que sentia sem medo. É isso que eu quero neste momento: transparência e claridade, força e coragem para conseguir sair desta penumbra que insiste em esconder-me. Quero reencontrar aquela esperança, aquela felicidade.
Agora só preciso de ver o teu sorriso... Está na hora de acordar.

sábado, abril 12, 2008

Shiiiiiiuuuuu.
Os gritos começam. Como se pode uma pessoa manter sã neste ambiente? O motivo é o mesmo de sempre.
Os adultos transformam-se, tornam-se infantis, perdem a razão no meio de todas aquelas vozes alteradas. Vemos os que são suposto darem-nos o exemplo danificados, reduzidos a algo que nunca imaginámos possível.
Eles não sabem que estou aqui. Como se poderiam comportar assim à frente de uma criança? Provavelmente acham que não os estou a ouvir, que a música depressiva que tenho no computador me afasta da discussão.
Tento não ligar, tapar os ouvidos com força, tento não me manifestar. É tão difícil...

terça-feira, abril 08, 2008

Um texto de Dezembro, perdido...

Acabou de começar um programa na televisão, qualquer coisa portuguesa. No canto superior direito está uma espécie de donuts vermelho: maiores de dezasseis. A primeira imagem que aparece é a ponte Vasco da Gama, dando a sensação de estarmos a andar nela. De repente vem-me à cabeça a recordação de uma viagem fantástica. Estava a voltar de uma semana de sol no Algarve, algo novo. Está uma noite perfeita. O cabelo solto, o rosto corado, o meu lindo top com borboletas e um colar novo. Estou feliz! Mal eu sabia...
Na televisão continuam a passar imagens de paisagens. Não sei do que se trata, os phones nos ouvidos não me deixam ouvir o que quer que seja. O sol está a pôr-se. Vamos tão ligeiros, tão leves, a passar por toda aquela beleza alentejana. Os relvados, as oliveiras, os montes, o laranja do céu. Não, esta música não, por favor. Como se já não fosse suficientemente mau... Por momentos desaparece tudo da minha mente, perco o meu olhar no infinito. Acabou.
Na televisão agora passam fotografias a preto e branco de homens, continua sem existir uma história. Sinto-me a voar. Sou um pequeno pássaro a voar lá fora, no ar quente da noite, a deixar-me levar por uma brisa suave. O céu agora está preto, as estrelas vêem-se na perfeição. Vejo as constelações, todas aquelas constelações que têm um significado imenso para mim. Não me lembro de havia lua ou não...
Estas são as recordações que permito virem ao de cima, sempre que as consigo controlar.
Definitivamente, o programa televisivo não tem qualquer sentido. Continuo a voar. Agora estou junto ao rio. Lá em baixo vejo uma ponte enorme, cheia de pequenas luzes amarelas e vermelhas em movimento. À frente vejo a capital, milhares e milhares de minúsculas luzes e um ruído característico. Foi uma novidade ver as coisas daquela maneira, tão pitoresca. Apaixonei-me, de certa forma. Aproveito bem estes últimos momentos de liberdade total, porque em breve vou chegar ao meu ninho.

segunda-feira, março 31, 2008

Recordações (para não ter)

Nos últimos dias tenho sido assombrada por mil e uma recordações. Eu sou uma pessoa que associa muito facilmente episódios do dia-a-dia a acontecimentos do passado, mas agora estou a ser bombardeada a todos os momentos com certas recordações. As recordações de uma viagem que significou o fim de muita coisa e o início de tantas outras coisas.
Sempre fui uma pessoa que se agarra muito às recordações, quer tenham um mês, um ano ou mais, talvez por a minha nunca parar de pensar ou talvez por dar demasiada importância ao passado.
Só agora é que consigo ver o quanto foi importante a viagem, o quanto vivi, o quanto aprendi, o quanto mudei. Podia descrever aqui toda a viagem, todos os momentos, todos os pormenores (oh, tantos pormenores), porque esta minha memória dá para tudo, mas se o fizer parte da magia perde-se, porque por mais que já se tenha falado, só quem lá esteve é que seja o quão especial foi.
E como alguém diz, "só se tem uma vez na vida". Por isso, não vale a pena juntar as pessoas para se tentar reviver o que já foi e não volta, porque no final só vai ficar a desilusão. E não vale a pena recordar demasiado, porque isso só vai fazer crescer em nós um espaço vazio, a saudade.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Eu tenho um refúgio, algo tão material como espiritual, que utilizo para fugir.
Pode-se comparar a uma embalagem que se compra no supermercado. Muitas vezes sou eu que a compro, outras vezes são outros que me trazem. A pequena embalagem tem uma espécie de duas divisões, uma totalmente uniforme, outra cheia de texturas e cores.
Misturo tudo num só, pouco a pouco. As cores vão-se expandindo e, cada vez que lhe toco, forma-se um padrão diferente. Vou tirando bocadinhos, tentando não estragar demasiado, tentando manter o máximo de cor, o máximo de ilusão.
Este tem sido o meu vício nestas últimas semanas. Fico sentada no sofá a devorar a beleza que eu criei, a esborratar as cores que me fazem sorrir, a acabar com a única coisa que é doce, a destruir toda a magia. E fico ali absorvida até chegar ao fim.
Mas a seguir a este vem outro. Outra embalagem à minha frente, à espera. Este é o meu vício, uma ou duas vezes por dia, e, tal como todos os vícios, vai acabar por me fazer mal.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Nada mudou

Estive nos últimos meses numa adptação constante às mudanças que aconteciam à minha volta, que aconteciam na minha vida, que aconteciam em mim. Sempre pintei o caminho que tive que percorrer para chegar aqui hoje de cinzento, como uma dor tão profunda que me reduzia a nada. Porém, ontem foi como se tivesse visto uma luz, tudo me pareceu menos confuso e feio. A dor sentida e as feridas feitas não desapareceram, são coisas que não é possível apagar, mas é como se tivesse ganho um novo ânimo. Um ânimo algo triste, é certo, mas sinto-me menos frágil.
Já senti algo do género antes, nos intervalos das minhas depressões e pensamentos miseráveis, mas desta vez é diferente, tenho esperança de que vai ser diferente.
Estou maior, mais crescida. É isso que a dor provoca em nós, o crescimento. Tenho uma camada de pele mais espessa, sou menos ingénua, aquele medo inexplicável do nada quase já não existe, sou menos ajuízada mas continuo a ser conscienciosa. Estou tão diferente, houve alturas em que quase não me reconheci, mas a minha essência continua cá.
Tudo à minha volta mudou, tenho uma vida quase nova. Mas continua tudo na mesma. As discussões, o ambiente pesado, os planos falhados, o sentimento de faltar sempre alguma coisa. Percorri um caminho tão longo, perdi-me tantas vezes, mas vendo bem é como se tivesse dado apenas um mísero passo. Falta-me é descobrir se realmente avançei ou se recuei.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sinto-me...

Encorralada. Não tenho para onde ir. Tenho pessoas ao meu lado que não me dão espaço, sinto as paredes da sala a ficarem cada vez mais perto, a apertarem-me.

Sofucada. Estou com um ataque de claustrofobia, não consigo respirar. Todas estas pessoas estão a respirar o meu ar, não aguento.

Distante. Sou um extraterrestre, este não é o meu mundo. Já não me sentia tão estranha há tanto tempo...

Irritada. Estão a utilizar as minhas coisas como se fossem delas, falam comigo sobre coisas insignificantes, têm o cheiro de todos os dias. Não consigo ignorar, tenho os nervos à flor da pele, não me toquem.

Pressionada. Olham para o que eu estou a fazer, parece que me estão a avaliar, têm que provar que são melhores do que eu.

Distraída. Não me importa o que se passa à minha volta. Não consigo controlar o que sinto, por isso viajo para longe, penso em coisas estúpidas, sussuro uma música, deixo de pensar.

Só. É apenas assim que consigo estar. Já arranjei forças e motivos para continuar, mas o convívio com os outros tornou-se mais difícil. Sozinha consigo ser tudo o que quero, parece que só assim é que estou bem. Só.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Perdemo-nos

Perdemo-nos.
Todos nós que eramos felizes já não existimos dessa maneira. Para onde foi o entusiasmo, a vontade, a ingenuidade, a alegria?
Nós, que nos tínhamos uns aos outros, já não existimos. Agora cada um tem os seus problemas, todos temos mais problemas e não temos tempo para sermos nós. Não vivemos para os outros nem com os outros, não vivemos para nós próprios, limitamo-nos a viver. Andamos com uma máscara, sempre com um sorriso estampado na cara, porque temos que ser felizes, é essa a nossa obrigação e não podemos mostrar ao mundo o quanto estamos desiludidos, perdidos, cansados de não sermos nós.
Nós já não somos, perdemo-nos. Estamos todos mal, cada um pior do que o outro. Como é que se pode viver quando não conseguimos controlar o que sentimos, quando não sabemos o que queremos, quando o mundo que conhecíamos acaba? Fantasmas, é tudo o que nós somos neste momento.

Noite de 30 de Novembro

Estou na Serra. Consegui finalmente libertar-me das minhas obrigações e fugi para longe dos meus fantasmas.
O ar gelado que respiro faz-me esquecer tudo, tudo o que (não) tenho, tudo o que se passou, tudo o que sou. Sinto-me mais viva do que nunca, apesar de haver cada vez menos vida em mim.
O carro vai subindo a serra por uma estrada sem rectas. Estou cada vez mais alto, sinto-me quase como se estivesse a voar. Daqui consigo ver vales sombrios, encostas inclinadas e casas iluminadas. Subo cada vez mais e vejo que as luzes amarelas das pequenas aldeias lá em baixo formam uma espécie de várias cobras que se cruzam entre si. Delicio-me com toda esta beleza e espanto-me ao ver a lua a nascer por entre duas montanhas, amarela e grande, em forma de gomo de laranja.
Consigo ver pelo espelho o sorriso parvo com que estou, mas apenas sinto um vazio cá dentro. Sinto um nó na garganta, só me apetece chorar, mas não tenho razões para isso pois as recordações ficaram para trás e os sentimentos foram esquecidos por obrigação.
No meio de tudo isto, acho que sinto uma certa vontade para continuar, mas sinto-me sem forças.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Alguém especial

Hoje de manhã no metro vi uma rapariga que me chamou a atenção de uma maneira especial. Então, pus de lado o jornal e fiquei a observá-la, talvez porque sentia em mim um estranho desejo de a querer conhecer.
A minha primeira impressão foi de que ela era apenas mais uma universitária sonolenta. Ela estava em pé, encostada a um canto da carruagem, abraçada aos seus cadernos e com uns phones nos ouvidos. Quando entrou no metro, tinha o nariz ligeiramente vermelho e o casaco fechado até cima, para proteger o pescoço, reflexo do frio que já se faz sentir.
Via-se pelas grandes olheiras presentes debaixo dos seus olhos e pela sua postura que estava cansada, talvez devido ao trabalho na faculdade. Mas os olhos dela diziam que havia algo mais. Tinha os olhos brilhantes, mas ao mesmo tempo estavam tristes e espelhavam alguma decepção. Se calhar por problemas familiares ou talvez um desgosto amoroso. Pela maneira bastante pausada e hesitante como escrevia uma mensagem e pela forma espectante como segurava o telemóvel e como depois o guardou quando não recebeu uma resposta, apostava mais na segunda hipótese.
Foi todo o caminho absorvida totalmente nos seus pensamentos, abstraída de todas as pessoas que entravam e saíam das carruagens. De vez em quando fechava os olhos, como se se quisesse deixar ir, mas apenas durante breves segundos. Contudo, houve uma vez, depois de olhar para o visor do ipod, em que me pareceu ver uma sombra de um sorriso imediatamente antes de ela fechar os olhos, deste vez durante um longo momento, e depois de os voltar a abrir a custo vi uma lágrima a percorrer-lhe a cara, mas ela foi tão rápida a escondê-la que só eu devo ter reparado nela. Gostava de ter estado dentro da cabeça dela durante o tempo em que ela esteve de olhos fechados, gostava de lhe ter lido todos os pensamentos que a fizeram derramar aquela lágrima, gostava de saber o porquê daquela música ser tão especial para a ter feito vir abaixo.
Ela saiu na mesma estação que eu. Foi andando apressada, um novo dia já tinha começado. Não lhe consegui ver um sorriso, mas tenho a certeza que ela é especial e que não tem a noção disso.

terça-feira, novembro 13, 2007

Volto para casa depois de um dia bom, um dia de riso constante. O ar está fresco, o nariz está frio, mas não demasiado, tal como eu gosto. Estou com uma boa companhia, recentemente descoberta, e o riso continua.
No céu negro consigo ver a perfeição da lua, o seu ténue sorriso, por entre os prédios e as gruas. Passeio-me pelo jardim, só me apetece ficar aqui para sempre. A minha companhia vai-se embora, mas eu fico bem comigo mesma. Sinto um conforto imenso.
Deito-me na relva húmida, com a cabeça na minha mala do tamanho do mundo. Começo a ficar molhada, mas não me importo, nada me importa, porque os arrepios sucessivos fazem-me sentir viva. Hoje não tenho lágrimas, só sorrisos. Ouço música, canto baixinho para mim, abstraio-me das pessoas que continuam a passar apressadas.
Não penso, o segredo é não pensar, vivo a paisagem e a música, sou feliz.

sábado, novembro 10, 2007

Onde estás?

Onde estás?
Levantei-me a pensar em ti. Pus o meu melhor vestido, escovei e entransei o cabelo enquanto cantarolava músicas que me fazem lembrar de ti. Perfumei-me com o perfume que me ofereceste, mas só consigo sentir o cheiro que um dia deixaste em mim.

Onde estás?
Estou sentada, desde manhã, na cadeira da entrada à espera que me venhas buscar. As pessoas passam por mim, não parecem preocupadas, perguntam se eu quero comer mas eu recuso porque estou à tua espera. Não me levanto durante um segundo sequer com medo que tu chegues e não seja eu a receber-te, com medo de perder mais um momento a teu lado.

Onde estás?
O sol já se pôs há muito tempo. O meu sorriso foi-se esvaíndo aos poucos, agora só me apetece chorar. Onde estás tu com o teu sorriso lindo e uma simples flôr para me oferecer? Onde estás tu para me fazer feliz? Se calhar perdeste-te, talvez não te lembres de onde moro...

Onde estás?
Já não vens, pois não? Talvez nunca tenhas querido vir. Nem te lembraste... Porquê?
A cada segundo que passa eu morro mais um bocadinho. Choro agora deitada no chão gelado, o mais encolhida possível, tão pequena... Mas continuo na entrada, com uma ínfima esperança de que ainda me venhas salvar deste desespero.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Hoje estou triste. Ou talvez seja do cansaço. Ou então uma mistura das duas coisas, não sei bem. Sei que acordar como se não tivesse dormido nada não ajuda a ultrapassar melhor o meu dia.
Estou farta de andar a arrastar o meu corpo, farta de ter sempre as mesmas coisas na cabeça, farta das súbitas mudanças de humor e de andar vulnerável.
Está lua cheia, só me apetece deixar-me levar...

domingo, outubro 14, 2007

Tenho cada vez mais nojo de mim.
Cada vez mais desconheço e detesto o nada em que me tornei.
A força e a vontade para continuar é menor.
Tenho uma vontade brutal de desaparecer para sempre.

sexta-feira, outubro 12, 2007

É final de tarde. O horizonte está laranja forte, o ar está agradável. Fixo o meu olhar no infinito, vem-me à memória o cheiro a ar quentede há alguns dias atrás, depois lembro-me do cheiro a mar dos vestidos de praia que estive a desarrumar. Voltando à realidade, olho para as centenas de luzes que se vêem ao longe, luzes da cidade, e elas cintilam, cintilam como minúsculas estrelas.
Tudo isto junto faz-me lembrar dos tempos à beira-mar, dos passeios, das noites perfeitas. Está-se a apoderar de mim uma certa melancolia...